A sociedade do cansaço
Byung-Chul Han é um filósofo coreano e autor de um livro, bem fininho por sinal, que se intitula "A sociedade do cansaço". Na verdade quem me apresentou esse autor e leitura foi o diretor da minha tese de mestrado. A leitura caiu como uma luva naquelas noites de sono mal dormidas para conseguir entregar a minha tese e ser aprovado para defendê-la dentro do prazo. Hoje aproveitei para ler outra vez algumas linhas da reflexão de Han.
Abrimos a porta de nosso quarto e da a impressão que começa uma nova batalha. A palavra chave é rendimento. Porém nem sempre esse cansaço é negativo, pode ser oportunidade para um amável desarmamento do prepotente ego.
Já não vivemos uma época bacterial e a busca pelo antibiótico. O começo do século XXI, desde o ponto de vista patológico, é neuronal: depressão, transtorno por déficit de atenção com hiperatividade, transtorno limite da personalidade, síndrome do desgaste ocupacional. São esses os infartos ocasionados pela negatividade do excesso de positividade, de crer que podemos fazer tudo. Podemos talvez constatar que vivemos na era dos infartos psíquicos, desânimo e abatimento atroz.
Mas não há motivo para desesperançar. Nem tudo está perdido! Estamos diante de uma mudança de paradigma social. As estruturas firmes e resistentes estão dando lugar ao passageiro, ao líquido, em definitiva, ao novo. O cansaço convida ao descanso, a recuperar nossa capacidade de contemplação.
Nos campos de concentração os "Muselmanner" eram os debilitados, aqueles que já não aguentavam mais nada, nem sustentar-se sobre as próprias pernas. Esses somos nós, cansados emocionalmente, psiquicamente incapazes de sair da situação de escravos de nós mesmos. Porém é justamente aí que somos interpelados pelo convite ao "ser". Valemos não pelo que produzimos, mas pelo que somos. Hoje é o tempo oportuno para repensar se estamos mais preocupados em fazer ou em ser.
Recuperar a pedagogia do olhar é o desafio deste tempo. Aqui entra a espiritualidade da contemplação. A vida contemplativa é mais ativa que qualquer hiperatividade. Porque aqui não se da atenção a ser eficiente, senão, eficaz. Não somos chamados a ser máquina de rendimento autista, somos chamados a ser pessoas autênticas. É tempo de humanização.
O cansaço, em definitiva, pode ser oportunidade para romper com o ilhamento egológico e reconhecer que o ser é mais importante que o fazer, que os laços humanos são mais duradouros que os tecnológicos. É tempo para parar e ver que a vida tem sentido quando paramos para contemplar o pôr do sol ou a lua e as estrelas.
Abrimos a porta de nosso quarto e da a impressão que começa uma nova batalha. A palavra chave é rendimento. Porém nem sempre esse cansaço é negativo, pode ser oportunidade para um amável desarmamento do prepotente ego.
Já não vivemos uma época bacterial e a busca pelo antibiótico. O começo do século XXI, desde o ponto de vista patológico, é neuronal: depressão, transtorno por déficit de atenção com hiperatividade, transtorno limite da personalidade, síndrome do desgaste ocupacional. São esses os infartos ocasionados pela negatividade do excesso de positividade, de crer que podemos fazer tudo. Podemos talvez constatar que vivemos na era dos infartos psíquicos, desânimo e abatimento atroz.
Mas não há motivo para desesperançar. Nem tudo está perdido! Estamos diante de uma mudança de paradigma social. As estruturas firmes e resistentes estão dando lugar ao passageiro, ao líquido, em definitiva, ao novo. O cansaço convida ao descanso, a recuperar nossa capacidade de contemplação.
Nos campos de concentração os "Muselmanner" eram os debilitados, aqueles que já não aguentavam mais nada, nem sustentar-se sobre as próprias pernas. Esses somos nós, cansados emocionalmente, psiquicamente incapazes de sair da situação de escravos de nós mesmos. Porém é justamente aí que somos interpelados pelo convite ao "ser". Valemos não pelo que produzimos, mas pelo que somos. Hoje é o tempo oportuno para repensar se estamos mais preocupados em fazer ou em ser.
Recuperar a pedagogia do olhar é o desafio deste tempo. Aqui entra a espiritualidade da contemplação. A vida contemplativa é mais ativa que qualquer hiperatividade. Porque aqui não se da atenção a ser eficiente, senão, eficaz. Não somos chamados a ser máquina de rendimento autista, somos chamados a ser pessoas autênticas. É tempo de humanização.
O cansaço, em definitiva, pode ser oportunidade para romper com o ilhamento egológico e reconhecer que o ser é mais importante que o fazer, que os laços humanos são mais duradouros que os tecnológicos. É tempo para parar e ver que a vida tem sentido quando paramos para contemplar o pôr do sol ou a lua e as estrelas.
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